Voa

Aquele que parte não é o mesmo que volta!

Ouço infinitas vezes esta velha máxima. Compreendo-a na sua plenitude. Eu que também parti, mas vou voltando. Vou voltando e partindo.

Quando parto, levo na bagagem mil sonhos, receios e anseios. Parto com o coração pequenino e apertado, com a vontade de vos levar mais do que no peito…a meu lado. A cada partida já se fazem cálculos para o regresso ainda mesmo sem ter partido.

Bem sei que todas as partidas são necessárias, mas é que à medida que os anos passam vamos sentido mais falta do que deixámos a alguns km. Sabemos que é necessário voar, para longe ou para perto , o necessário é ir. Sair da nossa zona de conforto e partir em busca de novos horizontes, novos ares, culturas ou seja o que for.

Compramos os bilhetes e quando chegamos ao destino e observamos tudo ao nosso redor verificamos que nada nem ninguém nos é meramente familiar. Coloco os óculos escuros, avanço a passo acelerado mostrando que “sei perfeitamente para onde quero ir”. Para não dar uma de forasteira e evitar olhares.

A cada dia que passa, há um novo ensinamento, uma nova cara que conhecemos e, passado pouco tempo já nos sentimos em casa. Já temos uma rotina, um grupo de conhecidos e outro de vizinhos. Até já vamos ao café perto de casa de chinelos e quem sabe de pijama por baixo de um fato treino bem confortável!

Depois e no meio do stress de um dia banal, fazes contas. Contas das despesas que tens de facturar e, no meio dessas contas colocas os bilhetes para voltar.

Partimos, mas sempre sabemos que vamos voltar. E voltanos. Voltamos com o coração a arder por um abraço, com uma alegria tamanha de quem quer um colo e contar todas as aventuras que viveste estes dias no novo lugar que te acolheu. No lugar onde já não és forasteira mas mais uma. Voltamos com a ansiedade de ter os sorrisos e os olhares rasgados e a brilhar que deixámos quando partimos.

E quando chegamos. Está tudo igual. Os braços que nos largaram para partirmos estão novamente abertos para nos receberem. Os sorrisos abrem de tal forma que os olhos cerram como um chinês de tamanha felicidade. E nós voltamos a estar em casa. Na nossa zona de conforto até à próxima partida.

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Publicado por

Sarah Felipa

Sou uma jovem portuguesa que aceitou o desafio de começar esta jornada com a criação de um blog. Nele poderás encontrar posts relacionados com a vida crua e dura que nos transforma em pessoas tão fortes e destemidas, como também todas as experiências/viagens vivenciadas, e claro, como não podia deixar de ser, tudo o que nós mulheres adoramos, moda, make up e muito estilo.

4 comentários em “Voa”

  1. Se me permite opnar, diria que voamos sempre por mais perto que seja, pois cada deslocamento nos encontramos seja com as próprias mudanças locais, seja com colegas de infância, enfim…
    Tudo muda o tempo todo, mais ainda, diria que nós mesmos mudamos o tempo todo e a cada momento. Quando na verdade viajamos a outros lugares, vilarejos ou países, sim, os costumes e a Cultura são diferentes, mas sempre será nossa casa também, afinal somos todos terráqueos.😉👍

    Curtido por 1 pessoa

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