Confia. Por ti e pra ti. Confia porque depois da tormenta um novo dia se avizinha e o sol volta sempre a brilhar. Confia com o coração. Porque ele sabe certeiramente o que o faz parar deixando-te em êxtase. Confia com toda a fé e esperança que ostentas no peito. Porque vai dar certo.

Segue o teu coração. Tantas quantas às vezes que forem necessárias. Segue-o por ti e para ti. Mas nunca pelo que os outros esperam.

Confia. Porque a vida nos seus contratempos e balanços sabe sempre o que faz. O que tira e o que te traz. Confia. Sem medo do amanhã. Sem mas nem porquês.

Confia. Sobretudo. Com o coração.

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Um amor que não morre

Hoje decidi partilhar com vocês um amor, mas não é um amor qualquer. Não foge à regra dos outros. Tendo de ser vivido então, intensamente, livremente, com o coração carregado de bondade e sobretudo humildade. Um amor que tal como os outros também tem de ter sacrifício e entenda-se sacrifício como algo que te obriga a dar o teu melhor, a saberes todos os dias mais e mais, para assim poderes servir a causa e não servires-te da causa, como muito acontece por aí, mas isso são outras conversas.

Vou aqui confessar o porquê de eu um dia ter assumido esta missão de heróis. Ter dado tudo por esta causa e me ter apaixonado infinitamente por algo que eu não sabia que ia ser tão importante para mim e que me iria fazer tão feliz.

Um dia, à hora de jantar em casa disse aos meus pais que queria ser bombeira. Eles claro, cientes de todos os riscos que um bombeiro corre, do que está sujeito, das horas mal dormidas, da correria e sobretudo de toda a exigência que impunha usares aquela farda, disseram-me não. Fiquei amuada claro por não ter sido aprovada a minha vontade e sobretudo por me cortarem logo as bases.

Passado um ano, estou a caminho do Porto com o meu pai, mas a viagem nem a meio chegou. A famosa estrada da morte IP4, agora A4, estava em fase de conclusão pelo que apenas havia uma faixa para cada lado, tornando o espaço bem reduzido e sem aquela berma que por todas as estradas existe ate uma valeta. A música que tocava no meu cd que fazia questão de por sempre que entrava no carro era se não estou em erro era qualquer coisa do género “agora eu quero ver levantar a tua mão e tirar o pé do chão, nesta onda de paixão. Pois bem, ironias do destino, levantei uma mão, depois a outra, os pés, sei lá. Em fracção de segundos vi a minha vida a acabar ali. O meu pai ia concentrado na estrada. Parecia pelo menos. Tinha um cigarro na mão. Que eu supus que ele o quisesse fumar e iríamos encostar na estação de serviço, mas não. Passei a estação de serviço e ele não disse nada. Uns 200m à frente começou o meu pesadelo.

O meu pai começou a ter um ataque de epilepsia. O mundo parou naquele momento. Eu perdi a noção do tempo e do espaço. A primeira reacção foi abrir os vidros, por 4 piscas e pegar no telemóvel. Acelerava a fundo pois na minha ideia já estava mais perto de Vila Real. Do outro lado da chamada uma sra do CODU NORTE atendeu a minha chamada, expliquei tudo muito aflita e sem saber o que fazer. Ela pediu que encostasse o quanto antes e assim fiz, mal tive oportunidade. O condutor do carro que vinha na nossa retaguarda apercebeu-se que algo não estava bem, encostou um pouco mais à nossa frente e veio a correr para me auxiliar. Eu comecei a correr na direcção dele pois o CODU pedia-me o km a que estávamos e eu não sabia dar essa informação.

Estava completamente em pânico.

A Brigada de Trânsito nem um minuto demorou a parar atrás de nós, sendo um dos agentes e dar toda a informação necessária acerca da localização ao CODU. Eu com toda a aflição e porque só sabia o básico arrastei o meu pai do carro para o chão, deixando-o voltado para o lado esquerdo. Felizmente e porque estávamos perto, a SIV Mirandela não tardou a chegar para nos auxiliar. Uuuuffff, que alívio quando vemos esses homens e mulheres não é ? Eu na altura, confesso que nada percebia do assunto e só queria que eles levassem o meu pai dali. Fizemos inversão de marcha em direcção a Mirandela pois estávamos apenas a 5min do hospital.

Quando cheguei ao Hospital de Mirandela é que a ficha caiu e comecei a perceber tudo o que se estava a passar. Estava sozinha, não sabia como ligar para casa dando a notícia à minha mãe pois sabia que ela iria ficar super aflita.

Felizmente tudo acabou bem.

Passado 2 meses, cheguei a casa e tal como da outra vez à hora de jantar disse aos meus pais “inscrevi-me nos bombeiros”. O que me aconteceu, fez-me pensar que se a passagem de informação para o CODU e a resposta da SIV não tivessem sido tão rápidas, eu não sei o que poderia ter acontecido.

Então reflecti, “eu também posso ajudar alguém que esteja na mesma situação ou em outras parecidas, necessitando de nós”. E sabem ? Foi sem dúvida a melhor decisão, que tomei em toda a minha vida. A minha corporação, Bombeiros Voluntários de Bragança sempre será a minha segunda família. Considero-me uma sortuda por lidar com profissionais de excelência, pessoas com diversos feitios e ideais, mas ali aprendemos a lidar com todas as situações de socorro como também com as diferenças de um ser humano, formando assim um só que dá origem a uma equipa incrível de homens e mulheres que lutam pela mesma causa.

Hoje resta-me sentir um orgulho tamanho pela farda, pela luz que apareceu na minha vida e sobretudo agradecer aos meus colegas. Foram eles os responsáveis por toda a minha aprendizagem e crescimento com aquela farda.

Um bem haja a todos quantos vestem a farda de bombeiros e a sabem HONRAR.

Orgulhosamente

Antes de mais deixai-me que vos diga que nunca em momento algum nos devemos esquecer das nossas raízes, de onde nascemos e fomos criados e se há algo que me deixa o coração a palpitar a cada notícia e a cada publicação fotográfica é a minha querida cidade natal, Bragança.

Partilho hoje com vocês esta imagem tirada hoje pela manhã pelo nosso mui conhecido e amigo Fernando Nunes que pertence à equipa da SIC de Bragança.

Estou com o coração  do tamanho de uma ervilha.

As recordações destes dias com nevões são imensas. Reivindicávamos todos os dias por acordar cedo para ir para a escola, mas nesses dias, a escola fechava e nós não ficávamos nem mais um segundo na cama depois dos nossos pais carinhosamente irem junto a nós à cama informar-nos que podíamos dormir que não havia escola. Agrupávamos e seguíamos em bando fazendo bonecos de neve por todo o lado, mini muros de protecção para se iniciar a famosa pelotada em que não havia equipas e era proibido defenderes alguém. Cada um por si na pelotada era a regra número um. Contudo, não nos podíamos descuidar com as horas, pois nesses dias os nossos pais com um bocado de sorte também ficavam em casa impossibilitados de chegarem ao local de trabalho e enquanto nos enroscavam o cachecol e apertavam bem o casaco liam-nos o reportório como em todas as outras vezes, para ter cuidado com as brincadeiras, para quando estivesse molhada ir trocar de roupa senão iria ficar doente entre todas as outras recomendações que pouco ouvíamos pois a vontade de sair a correr porta fora era bem maior.

Estes dias são guardados no coração de todos nós.

Até podemos ter nascido e vivido no interior, ficando longe dos grandes centros urbanos, das grandes praias e de imensas lojas incríveis, mas E DAÍ ????? Queres saber? Nós somos bem felizes, não temos praia não, mas temos mil rios e cascatas à nossa disposição e, sinceramente para que iríamos querer nós uma praia no inverno se é só no verão que podes desfrutar dela? A menos que sejas surfistas ou que pratiques qualquer outro tipo de desporto, mas ainda assim, nós preferimos o interior, lá temos desportos de inverno e inventamos outros tantos, sabiam? Quando neva vamos à procura da melhor descida, enfiamo-nos dentro de sacos do lixo bem fortes e vamos por lá baixo fazendo o que nós chamamos de Sku, que é bem mais divertido por sinal que o Ski que todos conhecem. Não temos as lojas incríveis que vocês têm, mas também temos algumas que gostamos e ainda assim preferimos não ter essas lojas todas da moda na nossa cidade pois assim não temos muita confusão nas nossas ruas, tornando assim a nossa cidade uma excelente ideia para morar e viver com uma qualidade de vida acima da média (estudos comprovam). Também não temos esses bares da praia para ires tomar uma cerveja e comer uns caracóis ao fim do dia, mas posso-te garantir que as bifanas do FF às 6h da manhã, levares o merendeiro (como se diz lá no interior) para a Barragem de Castanheira ou ires até ao Azibo, é bem melhor que todo e qualquer bar de praia apinhado.

Aaaaah e deixem-me que vos diga também que nós sabemos de onde vem o ovo, nós temos o melhor fumeiro, a melhor comido e sobretudo o melhor vinho. Sem falar do vinho do Porto claro, mas até esse está no norte. Nós temos costumes/tradições bem presentes na nossa vida e sabemos também de onde vem a carne, a couve, o tomate e tudo o que nos põem no prato, pois lá no interior temos imensos animais . Alguns de duas patas também, não podíamos ser de excelência em tudo kkkkk

Para finalizar frisar que este post não foi de todo uma crítica ou querer ferir os que se encontram abaixo do norte e que tal como eu são orgulhosos das suas raízes. Apenas quero expressar que sou orgulhosamente orgulhosa das minhas raízes, mas também não me esqueço do resto de portugal que tantas outras coisas óptimas tem e que nos deliciam, mas o norte é algo que me fascina e apaixona a todo o instante.

 

Primeiro post do blog

H e l l o.

 

Hoje, e porque hoje é o final de um mês e todos os finais de ciclos são demarcados por algo ou por alguma razão, finalizo então este meu mês de inúmeras batalhas com a criação de um novo blog, o meu, Âncoras De Uma Vida.

Será de opinião própria, uma visão da sociedade de hoje em dia. De como os outros nos vêem a nós mulheres, independentes e seguras de nós mesmas e como nós vemos os outros. Será também acerca de todas as viagens e experiências que aconteçam em cada entretanto.